Brinquedoteca na história

A primeira idéia de uma brinquedoteca surgiu em Los Angeles, em 1934, para evitar os furtos de brinquedos numa loja por crianças de uma escola próxima. O espaço foi montado, e os brinquedos do acervo passaram a ser emprestados. Em 1963, em Estocolmo, na Suécia, surgiu a primeira (Lekotec) ludoteca, com o objetivo de orientar os pais de crianças portadoras de necessidades especiais a estimularem a aprendizagem e de emprestar brinquedos. Em 1967, na Inglaterra, surgiram as Toy Libraries ou bibliotecas de brinquedos. O empréstimo como finalidade básica das brinquedotecas passou a ser questionado a partir de 1976, no I Congresso de Brinquedotecas, realizado em Londres, diante da mudança no perfil de atendimento. Foi constatado que as crianças procuravam esses espaços não apenas para levarem brinquedos emprestados, mas para permanecerem lá por mais tempo, brincarem e se socializarem com as outras crianças. A brinquedoteca teve reconhecidas as suas novas funções a partir do Congresso Internacional de Toy Libraries, no Canadá, fortalecendo o movimento nessa área e se expandindo para vários países da Europa.
No Brasil, a montagem dos primeiros espaços para brinquedoteca começou com a ludoteca da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), em 1973, que funcionava sob a forma de rodízio de brinquedos entre as crianças. Com o acervo precário, as crianças levavam o brinquedo para casa por empréstimo por um tempo determinado. Um novo encontro era marcado, e os brinquedos eram novamente trocados. A primeira brinquedoteca brasileira oficial foi criada em 1981, em São Paulo, com uma combinação dos objetivos das primeiras Toy Libraries,que era o empréstimo de brinquedos, aliado a uma filosofia fundamentada no ato de brincar e na brincadeira em atendimento às necessidades da criança. Em 1984, foi criada a Associação Brasileira de Brinquedoteca, que existe até hoje e que atua na divulgação, incentivo e orientação de pessoas e instituições e na formação de profissionais brinquedistas. Com a difusão rápida das brinquedotecas, houve uma diversificação na dinâmica de funcionamento e, embora os objetivos continuassem sendo a criação de espaços para brincar, atualmente existem diferentes tipos de brinquedotecas, como as escolares, as de bairro, as de hospitais e clínicas e as de universidades, agregadas a bibliotecas temporárias e no sistema de rodízio.
As brinquedotecas classificam-se em função de diferentes fatores, entre eles, a situação geográfica, as tradições e as culturas de cada povo, o sistema educacional, os materiais e espaços disponíveis, os valores, as crenças e os serviços prestados; entretanto, independente de cada tipo, é sempre preservado o aspecto lúdico como fator primordial que assegura o direito da criança de brincar. As brinquedotecas escolares geralmente são implantadas em instituições de Educação Infantil. No entanto, o atendimento, na maioria das vezes, é limitado à clientela institucionalizada para suprir as necessidades de material pedagógico.
Já as brinquedotecas de hospitais e clínicas existem para dar suporte ao tratamento medicamentoso, estimulando a brincadeira como forma de amenizar os traumas de internação ou como terapia. Existem, ainda, as brinquedotecas sem local fixo, circulantes, também chamadas de ambulantes, móveis ou itinerantes. Podem ser adaptadas a um ônibus ou instaladas junto aos circos. A finalidade é levar a brinquedoteca a diferentes lugares, variando o tempo em cada local, dependendo de cada situação. As brinquedotecas temporárias são montadas em locais onde acontecem grandes eventos e oferecem às crianças um espaço para brincar enquanto os pais participam da programação. Esses espaços para brincar já chegaram aos condomínios, hotéis, presídios e clubes, variando o espaço conforme a função. Independente do tipo de brinquedoteca, é essencial que esse espaço seja criado com o objetivo de proporcionar estímulos para que a criança possa brincar livremente. “Brinquedoteca é o espaço para brincar. Não é preciso acrescentar mais objetivos, é preciso valorizar a ação da criança que brinca”. (CUNHA, 1997).



